quarta-feira, 28 de Maio de 2008

As eleições no PSD









À medida que se aproxima a data das directas no PSD (próximo sábado) cresce a expectativa quanto ao resultado do escrutínio. Manuela Ferreira Leite é a previsível vencedora, pois faz a ponte com o eleito conservador, social-democrata, mais velho do partido. Revela (como se viu no debate na TVI) segurança, convicção no que faz, determinação. Não esboça qualquer sorriso, do ponto de vista do marketing político é um "produto' difícil de vender, mas exala confiança, sabedoria. Pedro Santana Lopes é o oposto: tactista, improvisador, faz lembrar aqueles jogadores de futebol que fintam, fintam, até se fintarem a si próprios e perderem a oportunidade do golo. É irreverente, populista, mas o seu tirocínio governativo deixou má memória nos eleitores (e nos portugueses). Patinha Antão é um tecnocrata puro, alguém que teve sempre posições relativamente modestas na tecnoestrutura do estado, mas que tem dificuldades em articular uma visão política fora do "economês". Não se percebe porque se candidatou até porque parece que não tem tropas. Pedro Passos Coelho é a oportunidade do futuro. Boa presença televisiva, um discurso enxuto, voz clara e forte, ideias simples e articuladas, é um excelente produto de marketing político. Tem juventude e mostra-se, enormemente, promissor. Tem uma carta adicional: a mensagem liberal, o alinhamento às ideias que (podem) fazer do PSD um partido renovado no panorama político-partidário português. Ontem, ouvindo a repetição do espaço político de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) na RTP, fiquei com a ideia que estará muito próximo de Manuela Ferreira Leite (ao contrário do que este quiz demonstrar, tentando desmontar as vantagens do candidato). A postura reverencial perante a figura de respeitada militante partidária que é Manuela Ferreira Leite só lhe ficou bem e ao contrário do que afirmou MRS revela maturidade, prudência e ausência de sofreguidão pelo poder. Se galvanizar a JSD e o grupo etário dos militantes do partido abaixo dos 50 anos pode-se revelar a grande surpresa destas eleições. Até porque - como aqui escrevi - está a preparar o futuro mais do que o presente. Por um raciocínio muito simples: se Sócrates ganhar as eleições legislativas, no próximo ano (como todos os analistas antecipam), MFL terá 71 anos quando Sócrates acabar o mandato em 2013.
Lá estarei sábado a exercer o meu direito de voto como militante do PSD. Já escolhi em quem votarei. Mas isso é comigo e com a urna.